Por Talita Lima - CRP 12/21673
Sobrecarga mental materna: o peso que ninguém vê, mas todas sentem Ser mãe é ter todos os dias um motivo para sorrir. Mas, também pode ser viver dias intensos marcados por um cansaço profundo. É acordar antes de todo mundo, dormir depois, e ainda assim sentir que faltou tempo (ou energia) pra você. É ter a cabeça sempre cheia, pensando em tudo o tempo todo: lanche, vacina, reunião da escola, roupa pra lavar, trabalho, contas, o que vai ter no jantar... e, no meio de tudo isso, tentar lembrar quem você era antes de ser “mãe”. Sentir-se exausta diante disso tudo não é sinal de fraqueza: é sobrecarga mental materna, um peso invisível que mora no pensamento acelerado, na exaustão silenciosa e, muitas vezes, na culpa por sentir que não está “dando conta”.
Afinal, o que é a sobrecarga mental na maternidade?
A sobrecarga mental é uma forma de fadiga emocional e cognitiva. Ela não se resume ao cansaço físico. Trata-se do esgotamento causado por estar constantemente responsável por planejar, antecipar, decidir e manter o funcionamento da vida familiar. Sabe aquela sensação de "pensar sem parar", mesmo quando o corpo tenta descansar? Aquela sensação de que sempre tem algo a ser feito, ou a ser planejado? Pois é, essa é a sobrecarga mental que como mães vivenciamos.
E por que isso acontece?
A maternidade ainda é profundamente atravessada por expectativas sociais. Desde cedo, as mulheres são ensinadas a cuidar dos outros, da casa, dos sentimentos, das relações. E quando chegam à maternidade, esse papel de “cuidadora principal” é naturalizado, como se fosse uma vocação e não uma construção social. O resultado é uma mãe que se sente obrigada a dar conta de tudo e, quando não consegue, sente culpa. Mas ninguém dá conta de tudo. E nem deveria.
É importante lembrar que, além de lidar com todas as demandas, muitas mães também precisam lidar com o peso da culpa e a solidão materna. É comum mães se sentirem sozinhas mesmo rodeadas de gente, porque a solidão materna nasce da sensação de que o cuidado com os filhos é responsabilidade exclusivamente nossa. Constantemente escutamos frases como “mas você trabalha só meio período”, “mas seu marido ajuda, né?”, “no meu tempo dávamos conta de tudo sem reclamar”...frases como essa, em vez de aliviar, aumentam a culpa e o isolamento. O problema é que essa solidão adoece. A mente fica em alerta constante, o corpo responde com cansaço, e o prazer da maternidade vai se misturando com o peso da obrigação. Você não está sozinha! Não há uma receita pronta, mas, aqui temos alguns caminhos possíveis para lidar com todo esse peso:
-Você é muitas coisas além de mãe: é importante se reconhecer nesse lugar de alguém que também precisa de cuidado.
-Reconhecer o peso que você carrega — nomear o cansaço é um ato político e terapêutico.
-Dividir responsabilidades — cuidar não é tarefa exclusiva da mãe; é uma função compartilhada.
-Buscar rede de apoio — família, amigas, grupos de mães, profissionais de saúde mental.
-Cultivar o autocuidado real — aquele que não é mais uma tarefa na lista, mas um espaço de pausa genuína.
-Permitir-se ser suficiente — e não perfeita.
-Cuidar de si é também cuidar de quem depende de você.
Um lembrete com carinho de uma mãe e psicóloga que também passa por isso:
Seu valor não está em dar conta de tudo, mas em estar presente, do seu jeito, com o que é possível. Com apoio, a maternidade pode ser potente, leve e não precisa ser solitária. Que possamos falar sobre a sobrecarga mental materna sem culpa e transformar esse peso em consciência, cuidado e apoio mútuo.
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